Amor, ódio, tristeza, alegria, solidão, raiva,
angustia, frustração ansiedade, paixão
.......e tantos outros....
Nossos sentimentos são muitos e, as vezes, tão
confusos que nos perdemos. Mas quais são os mais importantes
?
Todos são extremamente importantes, pois somos seres
humanos e os sentimentos; precisamos apenas aprender a trabalhar
com eles.
Precisamos viver cada minuto com a certeza que este minuto,
não voltará nunca mais. Cada momento deve ser
valorizado por ser único e bem aproveitado. Devemos
sentir e trabalhar nossos sentimentos como eles nos surgem
e de alguma forma não despreza – los.
Muitas vezes a tristeza nos sufoca e parece que vamos explodir,
outras vezes, a alegria nos invade e, não temos com
quem dividi-las.
É sempre bom partilhar nossos sentimentos, sejam eles
de alegria ou tristeza, pois precisamos de carinho e apoio
das pessoas. Precisamos todos um do outro, trocando experiências
e vivências.
Hoje em dia, a correria pela sobrevivência, não
nos permite ver que ao nosso lado as pessoas estão
precisando de uma palavra, um gesto, um carinho.
Nós, voluntários do Samaritanos Penha, nos unimos
com a intenção de dar a essas pessoas que precisam
partilhar seus sentimentos, um pouco de atenção,
carinho e respeito.
Sabemos que todos estão sempre ocupados e sem ninguém
para ouvi - luz e por isso, estamos disponíveis para
dividir suas emoções quando vocês precisarem.
Teremos um grande prazer em partilhar esses momentos com vocês.
Liguem quando quiserem ou venham nos conhecer e participar
de nossos cursos para voluntários.Unidos faremos um
mundo mais humano.....
TEMAS PARA REFLEXÃO
Amor e Solidão
AMOR E SOLIDÃO - RUBEM AMORESE
Tenho caminhado todos os dias, pelas quadras de Brasília. Cruzo com senhores, senhoras, moços e moças; gente indo ou voltando do trabalho, da escola, do mercado, ou simplesmente se exercitando. E imagino perceber, pelo olhar, pelo andar, uma solidão imensa em seus semblantes. Parece que todos carregam um fardo, o latejar de uma perda inexplicável. Isso transparece no olhar da senhora que passeia com seu cão de estimação, ou no jeito de olhar para o chão do executivo engravatado que passa. Estão todos sós, imagino. Irremediavelmente sós. Implacavelmente sós. E não se trata de uma solidão episódica, por não estarem acompanhados, mas um estado de alma. Persistente, resistente. E a tristeza lhes transparece no rosto.
Tenho aprendido a observá-los com simpatia, tentando imaginar o que sentem, a partir da mesma experiência existencial em minha história. Experiência essa que gostaria de tentar verbalizar.
1. Ruptura e Solidão
Acredito em uma "ruptura do Éden" – uma tragédia primária, experimentada na humanidade de Adão que, numa paráfrase ao apóstolo Paulo, "passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Rm 5:12).
Nesse sentido, a ruptura do parto, experiência secundária, mas experimentada pessoalmente por cada ser humano, produz a dor da solidão. Talvez a maior, a mais profunda, a mais duradoura e marcante dor "des-conhecida" pelo homem. Como na hora de nosso nascimento geralmente a família está em festa, não percebe a tragédia pessoal de uma criança que acaba de ser "expulsa do paraíso". Na seqüência, não se dará conta da "agressão" envolvida no seu afastamento da mãe, do peito, do seu rosto; no terror de deixar de ouvir sua voz pela primeira vez em sua vida; de fechar os olhos para dormir no escuro, sem os sons familiares do útero. Essa criança, certamente, não sabe como lidar com essa experiência traumática de ruptura. Será que aprenderá sobre a dor de ser única – e ter de viver a própria vida, a partir da consciência de si mesma? de decidir sozinha e não poder ser ajudado nessa hora? de caminhar com as próprias pernas?
Para não parecer que estou romantizando o fenômeno, reporto uma pesquisa divulgada pela CBN, em seu programa matutino sobre medicina e saúde. Diz a pesquisa que os recém-nascidos que requerem cuidados de incubadora desenvolvem vários níveis de depressão, chegando a sofrer paradas cardíacas, quando passam muito tempo sem ouvir a voz da mãe. Um médico especialista, comentando os dados estatísticos, informou que, em sua experiência prática, viu muitos bebês simplesmente desistirem de viver, como resultado do isolamento. Eu diria que a criança não resiste à solidão, e perde a vontade de viver.
Relata-se, também, que, em descumprimento às normas do hospital, uma enfermeira passou a tocar e conversar com os nenês que choravam à noite. O risco de infecção é alto. Mas o que ocorreu foi uma grande mudança na evolução da saúde daquelas crianças. Pesquisa feita, a enfermeira foi descoberta e identificada como a causa do grande índice de sobrevivência dos recém-nascidos.
2. Cauterizando a Ferida
Às apalpadelas, fazemos de tudo para suportar um desconforto que não compreendemos bem e criamos "calos" para ele: distraímo-nos, divertimo-nos, entretemo-nos, esquecemo-nos, sem saber bem o porquê desse ativismo desenfreado. Adultos, já, não sabemos de onde vem essa dor; então, planejamos ter filhos, como José (e Azenate), e os chamamos de Manassés (Deus me fez esquecer de todos os meus trabalhos e da casa de meu pai) e Efraim (Deus me fez próspero na terra de minha aflição) – Gn 41:51, 52.
Com o propósito inconsciente de fugir desse sentimento desconhecido e doloroso, metemo-nos em aventuras, singrando os sete mares. Outros buscam aventuras amorosas, tentando nelas encontrar algo que perderam. Outros ainda lançam âncoras desesperadas de volta ao útero (e ao Éden), por meio de sôfregos amores e amizades possessivas. Tornamo-nos dependentes dos nossos pais, dos amigos, dos pastores. Buscamos nos outros aquele conforto, aquela disponibilidade, aqueles sons maternos. Nossa alma busca, também, os ecos do paraíso, cada vez mais longínquos.
Alguns de nós fomos ensinados a desconfiar, ao mesmo tempo em que necessitamos desesperadamente da proximidade e da confiança, pois elas parecem nos sinalizar com algum conforto. Nessa ambigüidade, uns dizem que "não precisam de ninguém" (tenho muita misericórdia destes, pois são parecidos comigo); outros admitem que precisam, mas não sabem obter nem reter relações profundas e significantes (como aquela mulher insensata de Provérbios, que destrói tudo com as próprias mãos). E assim, vamos caminhando pela vida, carregando na alma uma lembrança da qual não conseguimos nos lembrar; uma busca por algo que não sabemos se reconheceremos se acharmos; um encontro pleno e satisfatório, que não sabemos como encontrar; um retorno ao ponto de partida cujas pegada já se apagaram.
3. Ecos do Paraíso
De fato, sentimos uma dor que nos é "lembrada" a cada minuto, com maior ou menor intensidade, como ecos longínquos do paraíso perdido. Em alguns momentos, ela nos é imperceptível, e o sentimento é de que não sabemos o que está acontecendo conosco; em outros, é bem clara, embora não saibamos chamá-la pelo seu nome, que é solidão.
Quem não traz a lembrança de ter ficado chorando quando a mãe e o pai saíram? Quem não viu o doce sorriso materno se transformar em tempestade, num momento infeliz, zangado? Quem não ouviu o pai dizer que está ocupado, que "agora não", num momento em que precisava tanto conversar? Quem não foi preterido por um amiguinho, deixado de lado, desdenhado na escola? Quem não foi trocado por outro (a) namorado (a)?
As experiências do internato, da prisão, da longa viagem de negócios, dormindo em hotel estranho; todas essas reminiscências são gatilhos que detonam as impressões gravadas a fogo em nossa alma; impressões de abandono, de expulsão dos paraísos (Éden e útero materno). Detonado o gatilho, nossa dor não se liga mais apenas à bronca, à desatenção, à falta de tempo, à traição, ao abandono e coisas assim, mas à reabertura de uma ferida imensa, brutal, para a qual não temos nem compreensão nem resistências; a tragédia da solidão completa que desaba sobre um ser que foi feito de material relacional. Não poucos de nós preferem a morte. Os mais desesperados partem para obtê-la.
4. Em Busca de Cura
Não sabendo de onde vem essa dor, nem como aplacá-la, uns se tornam violentos como feras feridas; outros, mais introspectivos, tornam-se melancólicos e vagam pelas brumas da vida, como fantasmas; passam seus dias a chorar; a espalhar um canto triste, um perfume saudoso de "não sei o quê". E os chamamos de poetas.
Tem gente que precisa viajar muito, como que à procura de alguma coisa ou pessoa perdida; tem gente que passa a vida esperando, olhando desanimadamente para o horizonte, talvez achando que o alívio virá na pessoa de um príncipe (ou princesa) encantado(a); há quem se mantenha permanentemente ocupado; metendo-se em tudo, rádio ligado, cheio de gente em volta.
Há os que negam sua dor; fazem-se esportivos, alegres e joviais – aqueles meninos ricos e populares entre as meninas que eu invejava quando menino.. Também há gente corajosa e destemida; gente que enfrenta: edifica pontes e arranha-céus, constrói foguetes interplanetários, tentando alcançar o "outro lado". Muitos poetas fazem músicas sobre (e para) um amor que não existe, e dizem, na sua desilusão: "que seja eterno enquanto dure" — porque sabem que a solidão virá, inapelavelmente. Muitos de nós, na ambigüidade da vida, quando pensamos que estamos conseguindo, estragamos tudo com as próprias mãos, como a abelha rainha que mata o zangão em pleno vôo nupcial.
A partir da ruptura primária, cada cisão, cada briga, cada separação abre um abismo de solidão, pois estamos sozinhos e nosso vazio nem os parentes podem suprir ou preencher. Nesse momento, ficamos céticos e tristes quando nos dizem, na melhor das boas intenções: "um dia você encontrará alguém..." porque intuímos que nossa perda não pode ser avaliada apenas por aquele momento; ela nos remete à perda primária, eterna.
5. Reconciliação e Intimidade
A resposta e a solução para essa dor primária é a restauração da ruptura básica – a intimidade com Deus, possível por meio de um profundo movimento reconciliador. A resposta secundária, pessoal e existencial é a restauração das nossas rupturas pessoais, conseguida pelo desenvolvimento da arte de cultivar a intimidade duradoura, também resultante de um processo reconciliador.
O mapa secreto do caminho de volta ao Éden está sob nossos olhos, na forma antropológica de amoroso mandamento, que parafraseio para nossos propósitos: "Amarás, pois o Senhor teu Deus com a intimidade e o conhecimento possíveis ao teu coração, e ao teu próximo com a proximidade afetiva com que te amas a ti mesmo" (de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.... e ao teu próximo como a ti mesmo).
Precisamos aprender – e ensinar aos nossos filhos – o que nos ordena Deuteronômio 6: amar a Deus é o retorno à intimidade possível, primária. Amar a Deus de todo o coração é o máximo da volta ao Éden que podemos conseguir nesta vida. Resolvido esse encontro, tratada a ferida da ruptura primária, restauradas também as feridas secundárias — igreja, amizades, afetos, casamentos (por que não?) estaremos "voltando para casa". Agora, já tendo aprendido a ficar (no sentido tradicional da palavra); agora, não procurando mais; agora vivendo a vida nos braços do Pai.
Conclusão
Da parte de Deus, que é o outro lado da relação primária, já temos provas cabais de seu amor e de seu desejo de vir morar em nossos corações, preenchendo o abismo criado no Éden. Ouço Paulo dizer em Rm 5:5: "Ora, a esperança não confunde porque o amor de Deus é derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi outorgado". O que ele mais deseja é um convite para uma relação de amor; serena, íntima, eterna, de coração, alma, força e entendimento.
Poderíamos lembrar muitos motivos para "amar a Deus de todo o coração", mas acho que até nisso Deus pensava em nós, ao nos legar o mandamento.
Não foi por orgulho, por desejo de ser bajulado ou engrandecido, mas porque ele sabe da solidão implícita na ruptura da queda. E sabe também que só há um jeito de voltarmos ao paraíso duplo do Éden e do útero: tendo-o presente, afetuosamente, em nossos corações. Restabelecida essa intimidade com ele, nunca mais estaremos sozinhos, mesmo que nosso pai e nossa mãe nos desamparem. E andaremos pelos parques e quadras de Brasília, com o conforto e a alegria de quem está acompanhado do grande amor de sua vida.